domingo, 2 de maio de 2010

Foi o rádio que ‘inventou’ a interatividade na mídia





Postado por Paulo Branco em Blog Paulo Branco - Radialista, TV, blog, mídia, rádio, televisão. Deixe um comentário
Dentre os convidados para o “IV Seminário Internacional de Radiojornalismo”, realizado em Curitiba ao final de outubro de 2009, foi palestrante Lucio Mesquita, atual diretor regional da BBC para rádios e sites locais, responsável por quatro emissoras. ”Foi o rádio que ‘inventou’ a interatividade na mídia”, diz Lucio Mesquita, da BBC. O Portal Imprensa conversou com Mesquita:

IMPRENSA – A BBC é uma emissora que, também pelo rádio, possui alcance global. Como isso foi possível?
Lucio Mesquita - Na realidade, o sucesso da BBC internacionamente precede a era digital. A presença global da BBC no rádio começou com as ondas curtas – o primeiro processo de comunicação com capacidade de atingir o mundo inteiro praticamente ao mesmo tempo. Na década de 30, a Grã-Bretanha ainda era um império com territórios espalhados pelo globo. Um serviço de rádio de alcance internacional era importante para informar o império sobre o que estava acontecendo no país e no mundo. Poucos anos depois, devido aos temores em relação ao crescimento do totalitarismo, serviços de línguas estrangeiras foram criados em diversas partes do mundo.

IMPRENSA – De que forma a BBC conseguiu aliar o rádio às mídias digitais?
Mesquita - Com o sucesso da operação da BBC na Segunda Guerra, em que ela provou ser confiável, sua reputação internacional continuou e continua crescendo até hoje. A diferença é que, mais recentemente, ela também opera canais de TV, sites na web e serviços para celulares em todo o mundo. Uma característica importante da emissora é que, apesar de ser uma instituição pública, historicamente tem demonstrado agilidade ‘comercial’ para adotar novas tecnologias e novos conceitos.

IMPRENSA – Atualmente, quais são os principais desafios do radiojornalismo, levando em consideração a crescente disponibilização de conteúdo?
Mesquita - O jornalismo no rádio não deve sofrer muitas alterações. Mas talvez o nome adequado para a atividade agora seja “audiojornalismo”. O desafio maior, principalmente no tocante ao modelo econômico do rádio, é não só entender a convergência, mas conseguir transformá-la em vantagem para sobreviver. No momento, emissoras de rádio tradicionais estão tendo que buscar formas de adaptação do modelo comercial na internet para manter ou expandir a audiência e manter receita.

IMPRENSA – As plataformas digitais e as mídias sociais têm servido de base para a interatividade?
Mesquita - O rádio pode e deve ser um dos grandes beneficiados por um motivo muito simples: foi o rádio que ‘inventou’ a interatividade em meios de comunicação. Afinal, até recentemente, a única forma prática de interatividade era o telefone e o rádio sempre explorou, e bem, o uso da telefonia fixa para obter informação e interagir com o ouvinte. É importante saber utilizar as novidades tecnológicas para beneficiar a audiência. Várias emissoras e programas da BBC utilizam as chamadas mídias sociais para interagir e/ou criar conteúdo adicional para o público.

IMPRENSA – O que antes era uma mídia local, passou a ser uma mídia com alcance global, o que isso representa para as emissoras?
Mesquita - A presença global da BBC não é um fenômeno novo, mas a internet e a telefonia móvel são novas opções para alcançarmos uma audiência maior. Depois de passar décadas com sua operação internacional dependendo exclusivamente das ondas curtas, na década de 80 a BBC buscou parcerias com emissoras locais em AM e FM e, em meados da década de 90, viu que a internet iria revolucionar o mercado, logo passou a investir em sites não só na Grã-Bretanha, mas também para os serviços de língua estrangeira.

Com informações de Portal IMPRENSA/Por Luiz Gustavo Pacete – Publicado em 27/10/2009


Fonte: Blog do radialista Paulo Branco

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