quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A pluralidade dos momentos...





Era pra ser uma simples ida ao dentista, mas transformou-se em texto e em reflexão para todos nós.

Saio para uma consulta com o dentista e essa história que vou contar começa no momento em que procurava uma vaga pra parar minha moto. Mas como sempre o centro não tem onde estacionar uma pulga e por sorte encontrei uma vaga na rua, ao lado da Câmara Municipal de Vereadores. 

Paro a moto e olho pra trás, quando avisto uma senhora sentada na calçada com umas sacolas ao lado, mexendo e dando a impressão de que procurava alguma coisa. O que mais me chamou a atenção foi a idade dela e as condições na qual se encontrava. Ainda me perguntei: Será que ela é moradora de rua? Será que é badameira?  Sem resposta segui pra consulta... 

Chegando lá, consultório vazio porque o dentista não tinha ido, por motivos de doença. Remarquei e como era por volta de 16h10 resolvi ir até a praça de alimentação da Avenida Getulio Vargas.  Como estamos em fase final da campanha eleitoral municipal, nem preciso dizer que tava um verdadeiro inferno. 

Carros de som, meio mundo de gente balançando bandeiras de partidos políticos, carros plotados, motos, buzinas, gritaria, jovens se divertindo na pista de skate... E de repente sai dali, no sentido para a avenida contorno, do lado do edifício Ana Muller, uma motorreata do candidato petista com vários motoboys fazendo buzinaço.  Aí o povo das bandeiras enlouqueceu a agitar e transformar o furdunço num tapete vermelho e frenético... 

Com pouco tempo, chega pelo outro lado da avenida uma carreata puxada pelo candidato do DEM com meio mundo de carros particulares, carros de som, motos de som, bicicletas, bandeiras e mais uma prrada de aficionados pelo momento...

Dos dois lados, o PANDEMONIO no meio o povo e os que tentavam se deslocar nos seus afazeres em busca da sobrevivência. E ali, eu presenciando tudo e registrando em fotos, olhando todo aquele circo e imaginando a senhora que tinha visto e pensando... “Independente da situação dela, esses são os culpados por isso, pela situação de abandono e de maus tratos que as pessoas vivem nas ruas jogadas, sem um pingo de dignidade...”   

Ver o quanto os candidatos são dissimulados e conseguem arrastar as multidões, não é novidade pra ninguém. Afinal de contas faz parte do jogo da politicagem, na qual o menos importante são os interesses de quem realmente precisa e pra quem a politica deveria realmente existir de fato e de direito. 

Passada boa parte do desfile eleitoreiro infernal, resolvi ir pra casa voltei ao local onde deixei minha moto, e lá estava a senhora sentada e dessa vez com o olhar distante, olhando pro horizonte, até perceber que eu a olhava... Estava frio e já era em média 18h30m e notei que além das roupas que vestia ela tinha por cima uma espécie de colete, capote ou algo semelhante. Só que o detalhe é que isso era feito com um saco preto que normalmente se utiliza pra colocar lixo.  Me doeu profundamente a resposta à minha pergunta, sim ela era moradora de rua... Ao mesmo tempo passava a tal carreata do candidato do DEM pela rua Visconde do Rio Branco, engarrafando tudo, e a senhora olhava pra tudo aquilo como se não entendesse nada, ou como se não quisesse nem entender. No olhar dela, difícil decifrar o que eu via. Não conseguia sair do lugar e por dentro estava em lágrimas. Senti mais uma vez a sensação de impotência já que nada pude fazer naquele momento pra pelo menos amenizar a situação. Não conseguia nem me aproximar pra conversar, pois a minha voz não saía e eu engasgava de raiva ao ver uma carreata politica com um dos grandes culpados pela situação daquela senhora. Claro, não só ele mas todo sistema de falta de politicas públicas ali representadas  em todo contexto até aqui narrado... E nos dito planos de governo nada relacionado aos excluídos sociais, aos invisíveis que a politica e a politicagem não querem ver. Nenhum milímetro de sensibilidade a essas questões, salvo as proposições do PSOL que gravou parte de seu material de campanha num local de exclusão, dando voz aos invisíveis sociais.

Nesse texto não quero exaltar nem diminuir ninguém, seja pessoa física, jurídica, partidos, candidatos, absolutamente ninguém. Só quero provocar uma reflexão diante das situações postas e diante das realidades vistas e vividas em nosso contexto social,  tentando sensibilizar a sociedade pras questões dos moradores de rua que ocupam o espaço público em Feira de Santana. É muito difícil saber que o Brasil é um país rico, a Bahia é um estado rico, Feira de Santana é uma cidade em franco crescimento territorial e econômico, e os ditos poderes constituídos fazem pouco caso de quem não tem dignidade, voz, vez, atenção, por um só motivo: não terem DINHEIRO. 

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